
Brasil, celeiro de missões: Reflexões sobre um modelo contextualizado e brasileiro de fazer missões
17 de agosto de 2026
Frutos de uma rica
Semeadura ao
redor do mundo
Ásia
O continente asiático sempre ocupou um lugar especial no coração da Missão Antioquia, que, ainda em seus primeiros anos como a primeira agência missionária interdenominacional e transcultural brasileira, viu nele a oportunidade de alcançar o mundo.
A chegada da Missão Antioquia à região tornou-se possível devido à existência de uma rede de apoio missionário com a participação de Barbara Burns. Ela atuou na fundação da Missão Antioquia, abrindo portas para outras parcerias, e alguns vocacionados para o treinamento se apresentaram como candidatos para a Ásia. Dessa forma, o princípio de parceria – como necessidade e não somente como opção para o envio de missionários – foi inaugurado na Missão Antioquia.
China
A China permaneceu por anos fechada para o Ocidente; no Brasil, não havia igrejas nem organizações missionárias que atuassem entre os chineses; e a Missão Antioquia não possuía contatos ou informações que possibilitassem o envio de missionários para o campo chinês.
Em 1983, porém, o casal Olinto e Dauzileia de Oliveira, da Igreja Assembleia de Deus em Mutuá (RJ), foi enviado a Hong Kong pela Missão Antioquia em parceria com a OMF – Internacional, organização fundada em 1865 por Hudson Taylor, missionário que orava por “trabalhadores dispostos e talentosos”. A parceria com essa organização foi fundamental, pois viabilizou a inserção e a atuação do casal no contexto missionário chinês. Olinto e Dauzileia foram os primeiros missionários evangélicos brasileiros enviados e sustentados por igrejas brasileiras para trabalhar entre os chineses. Haviam conhecido a Missão Antioquia por meio de mobilização missionária e, em 1981, haviam participado da primeira turma do Curso de Preparo Missionário (CPM), realizado na base da Antioquia em São Paulo. Eles serviram junto à Missão Antioquia entre 1981 e 1988 e, junto à OMF – Internacional, entre 1983 e 1994. Atualmente, o casal reside em Macau, no sudeste do país, onde continua a servir em tempo integral. São 44 anos dedicados à proclamação do Evangelho e ao desenvolvimento da obra cristã entre os povos da região.
Em 1987, com o apoio de irmãos ingleses, a Missão Antioquia enviou Raimunda Queiroz, natural do Ceará, para Macau. Em 1989, ela foi para Cantão, terceira cidade mais influente do país, onde obteve visto para estudar mandarim em uma universidade de Cantão. Depois de três meses, porém, devido a manifestações estudantis e respostas violentas do governo, ela precisou deixar o país. De volta a Macau, serviu aos cristãos locais e, quando possível, retornou a Cantão, onde concluiu o estudo de mandarim e iniciou o estudo de cantonês. Em 1991, deixou a China, passou pela Inglaterra, veio ao Brasil e retornou à China de forma independente. Em 1992, foi aceita para trabalhar no Consulado Brasileiro na Tailândia, sendo um canal de bênção para missionários que chegavam à Ásia e precisavam de ajuda com documentação e hospedagem. Aposentada dessa função, continua na Tailândia, sendo um importante contato na região.
Em 1989, Luiz Amaro e Orleuza Silva foram enviados para os Estados Unidos e, em 1990, para a China pela Missão Antioquia, também em parceria com a OMF – Internacional. Ficaram em Taiwan até 2002 e, posteriormente, trabalharam na China Continental. Estiveram entre o grupo dos primeiros missionários brasileiros a servir naquela região. Mais tarde, estabeleceram-se em Xangai, onde iniciaram uma igreja em casa. Ao longo de oito anos, a congregação cresceu de cinco para dez mil pessoas e se multiplicou em diversos grupos. Permanece ativa até hoje. O casal iniciou o Projeto GOL, plataforma esportiva pioneira para o testemunho cristão que, em 1997, deu origem ao Projeto Esportivo Missionários (PEM), da JMM, organização à qual os missionários se filiaram. Em 2016, por questões relativas à saúde, a família voltou para o Brasil. Em 2019, eles foram para os Estados Unidos, onde abriram uma igreja voltada às comunidades internacional e brasileira.
Em 1998, a Missão Antioquia, em parceria com a JOCUM, enviou Dirce Bravos, que havia passado pela Inglaterra e pela Tailândia, para a China. Convicta do seu chamado, a missionária enfrentou desafios, mas, em oração, venceu cada um deles e realizou o que parecia impossível. Dirce estudou mandarim e permaneceu no país até 2005, apoiando irmãos nacionais. Posteriormente, transferiu-se para Chiang Mai, na Tailândia, onde serviu com a Asian International Connection (AIC), cuidando de missionários e, inclusive, alcançando a Índia. Em 2008, retornou ao Brasil, onde, até 2024, coordenou a área de Cuidado Missionário da Missão Antioquia. Desenvolveu um trabalho eficiente e frutífero com os missionários.
Ainda é digno de registro o envio do casal Jurandir e Nanci Silva para a China, em 1992.
O campo da China trouxe à Missão Antioquia aprendizados que resultaram em mudanças para as gerações futuras. Em primeiro lugar, por estar em seus primeiros anos e atuar de forma pioneira, a missão alcançou lugares longínquos com estrutura logística limitada, conhecimento restrito do contexto e sem condições de acompanhar os missionários. Isso provocou desgastes operacionais e pessoais. Em segundo lugar, a dificuldade quanto aos meios de comunicação da época comprometia as operações, pois os assuntos demoravam a ser resolvidos. Em razão disso, a Missão Antioquia estabeleceu princípios quanto aos limites da sua atuação, de modo a garantir um acompanhamento adequado aos missionários e aos trabalhos desenvolvidos. Chegou ao entendimento de que deixaria de enviar missionários para lugares nos quais não tivesse condições para acompanhá-los, como missão ou por meio de parcerias bem estabelecidas.
Por intermédio dos seus missionários, a Missão Antioquia fez parte da resposta à oração de Hudson Taylor por “trabalhadores dispostos e talentosos”, mas a região ainda precisa de trabalhadores comprometidos para projetos de curto e de longo prazo. Há uma demanda contínua por missionários sensíveis ao contexto cultural local e dispostos a servir com dedicação, perseverança e atenção às necessidades da população.
Índia
A Missão Antioquia também foi pioneira na Índia.
Manoel de Oliveira foi treinado na base da Antioquia em São Paulo e, em 1982, em parceria com a OM, foi o primeiro missionário enviado pela Missão Antioquia à Inglaterra. Em 1983, foi enviado ao Paquistão e à Índia e, em 1984, ao Nepal. Em 1985, retornou à Índia. Essa experiência lhe proporcionou uma visão ampla da região. Em 1988, depois do casamento com a brasileira Solange, o casal se estabeleceu em Goa, Índia. Para além do calor sufocante e do cheiro dos temperos, enfrentaram os desafios da diferença social, da dificuldade para a obtenção de vistos e da opressão espiritual. Nasceram seus filhos Teddy, Billy, Henry, Emily e David. Viveram na Índia por 14 anos. Manoel exerceu seu dom de evangelização e colheu frutos para o Senhor. Solange apoiou seu ministério e criou os filhos – um deles é missionário. Em 2001, foram recebidos por igrejas na Inglaterra, onde continuam a exercer seu ministério. Em 2025, depois de uma frutífera parceria com a Missão Antioquia, eles prosseguem em ministério independente.
Em 1985, em parceria com a OM, a Missão Antioquia enviou Neuza Pereira de Jesus (in memoriam) para a Índia. Sua estadia no país foi breve devido ao câncer que a acometeu e ceifou sua vida. Entregou-se em favor daquele povo, que continua a precisar do Evangelho de Jesus Cristo. Neuza não teve a própria vida por preciosa, mas, com alegria, cumpriu a carreira que recebeu do Senhor e testemunhou Sua graça. Por isso, sempre será lembrada.
É digna de menção Eunice Agostinho, que começou a servir no país no início da década de 1990 e, mais tarde, casou-se com um pastor indiano, com o qual continua a exercer o ministério. Em 2009, a Missão Antioquia enviou Maria do Socorro Lima e Solange Firmino. Ambas retornaram ao Brasil em 2016.
A atuação da Missão Antioquia na Índia trouxe frutos eternos para o reino de Deus por meio de servos que se dedicaram ao povo indiano. Ao mesmo tempo, representou um importante aprendizado, pois a missão compreendeu a importância de reconhecer os próprios limites e valorizar a atuação de organizações missionárias mais especializadas naquele contexto. Por isso, honra e respeita os que continuam a servir fielmente naquela região.
África Centro-Sul
O continente é repleto de peculiaridades – uma diversidade gigantesca. No norte, há predominância de povos não negros e hegemonia da religião islâmica. No restante do continente, há forte presença de povos de origem bantu, com grande diversidade de línguas e culturas. A influência dos colonizadores levou as línguas ocidentais para a África, onde hoje se fala francês, português e inglês, o que é um desafio para os missionários.
Quanto ao aspecto religioso, há dois grandes desafios: o animismo e o sincretismo religioso. Com exceção de partes do norte do continente, há uma forte relação dos nativos africanos com os espíritos dos antepassados, que, segundo a crença, protegem-nos e os acompanham pela vida. É um desafio apresentar a fé cristã em um contexto marcado por crenças nos espíritos dos antepassados. O sincretismo religioso advém da falta de discipulado sólido e de continuidade de ensino bíblico e teológico, o que faz com que as religiões tradicionais africanas absorvam muito da cultura cristã, mas não deixem suas crenças e práticas tradicionais.
O contexto que recebeu os primeiros missionários da Missão Antioquia na região sul, desde o início da década de 1980, era precário. Havia guerras civis, poucas igrejas e escassez de obreiros preparados. Havia, porém, sede pelo Evangelho em sua integralidade, o que foi bem aproveitado pelos missionários.
A Missão Antioquia entrou no continente africano – Angola – em 1984, por meio de Maria Pires, e, em Moçambique, em 1989, por meio de Delci Esteves, seguindo a estratégia de alcance dos países de fala portuguesa. Em 1991, entrou na África do Sul, por meio de Carlos e Rita Correia.
Como pioneira na região, a Missão Antioquia mobilizou muitas pessoas para servir e chegou a estabelecer a Base Antioquia – África do Sul, que esteve ativa entre 1995 e 2007, sob a coordenação de Aldacyr e Elaine Mota. A base funcionava como ponto de relançamento para países vizinhos e como campo intermediário para o aprendizado de inglês para obreiros que, posteriormente, seguiam para atuar no alcance da Janela 10X40.
Desse modo, a missão exerceu um impacto significativo por intermédio dos seus missionários, que se tornaram conhecidos e abriram o caminho para outros. Estes, por sua vez, continuaram a anunciar o genuíno Evangelho, evidenciando o contraste entre o sincretismo religioso local e a verdadeira fé em Jesus Cristo, bem como o modelo missionário de serviço expresso na plantação de igrejas e no desenvolvimento de projetos sociais.
Janice Arlindo de Jesus Fernando
Missionária da Missão Antioquia desde 1994
Em abril de 1996, fui enviada pela Missão Antioquia, em parceria com a Igreja Assembleia de Deus de Criciúma (SC), para o campo missionário em Angola. Fui recebida e hospedada pela Maria Pires, a primeira missionária enviada pela Missão Antioquia ao país. Ela chegou ainda durante a guerra civil e já atuava na plantação de igrejas. Em 2002, um acordo pôs fim ao conflito armado, que durou quase 27 anos.
Meu marido angolano, Zeferino Fernandes, e eu trabalhamos na formação dos obreiros nacionais, bem como no avanço da evangelização e no crescimento da igreja em um contexto de guerra, problemas de locomoção, dificuldades linguísticas e escassez de recursos eclesiásticos – até Bíblias eram artigos raros. Essa realidade atraiu os missionários internacionais para o país, mas, posteriormente, devido à dificuldade a para a obtenção de visto, esse contingente diminuiu.
O impacto do trabalho foi recompensador, porque hoje vejo os frutos – missionários nacionais, pastores que se destacam no meio eclesiástico do país e professores de Escola Bíblica Dominical que são referência. Atualmente há uma livraria com literatura evangélica, além de missões nacionais e obreiros formados.
Além disso, em parceria com a Aliança Evangélica de Angola, obtivemos alcance nacional por meio do primeiro encontro de missionários estrangeiros e nacionais no país, o que continua a trazer resultados. Diferentes igrejas, organizações sociais e missionários foram apoiados, o que promoveu transformação social.
Hoje vivemos em Criciúma (SC), onde assumimos uma igreja da Assembleia de Deus e continuamos a apoiar a obra missionária. Nossas duas filhas, Samara e Ana, estão formadas e envolvidas com o trabalho da igreja.
Maria Rita de Oliveira
Missionária da Missão Antioquia desde 2001
Moçambique é banhado pelo Oceano Índico e tem clima tropical úmido. O povo é alegre e acolhedor. Embora tenha enfrentado batalhas contra o comunismo, guerras e fome, acredita em dias melhores. Isso me ensina sobre a maneira de superar embates.
Ainda durante a guerra, em 1989, a Missão Antioquia enviou Delci Esteves ao país. Ela fundou a Casa das Formigas – trabalho com crianças – e educou os diretores atuais, Simione e Graciette Mate, nacionais formados em Teologia e Pedagogia e em Enfermagem, respectivamente. Como resultado, muitos têm sido alcançados pelo Evangelho.
Em 1990, chegaram a Moçambique Aldacyr e Elaine Mota, que serviram em Pemba. No mesmo ano, chegaram Beto e Vilma Rossi, que serviram em Chimoio.
Em 1992, ano em que foi assinado o Acordo Geral de Paz no país, depois de 15 anos de guerra civil, a Missão Antioquia enviou Adelaide Janoni. A missionária encontrou um contexto de devastação, pobreza e fome. Atuou na área da saúde, apesar de não contar com medicamentos suficientes para atender às necessidades. Ministrou palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis e alimentação saudável a partir do que havia.
Em 1995, Carlos e Rita Correa chegaram ao país. Serviram em Catembe, junto à população indiana.
Em 2001, a Missão Antioquia me enviou ao país para atuar na área de educação. Tenho visto os milagres de Deus nos moçambicanos que ouvem a Palavra e escolhem servir a Jesus. Dentre os projetos, destaco a Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Luz e Vida – inaugurada em 2007 –, da qual sou diretora, e a primeira igreja Avivamento Bíblico plantada, que hoje tem 150 membros, células, presbíteros, diáconos e missionários. A Missão Antioquia me preparou em oração, dependência, descanso e equilíbrio em Deus para viver uma história de superação, crescimento e transformação.
Em 2010, chegaram ao país Clarismundo e Deise Batista; em 2018, Clésio e Berenice Silva; e, em 2020, Maria Estela Yarvi Flores, em parceria com a Iglesia Bautista Buen Pastor, em Santa Cruz, Bolívia, que serve junto à Casa das Formigas na área do acolhimento, evangelização e discipulado de crianças. Em 2021, Dércio Izilda Munguambe, fruto da atuação missionária de Adelaide Janoni e da minha atuação, foi ao Brasil para participar do treinamento do CPM. Em 2022, depois dessa capacitação, retornou a Moçambique para colaborar conosco no ministério.
Em 2024, Selma Lima de Rosário, que já havia trabalhado no Instituto Nacional de Saúde (INS), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi enviada como missionária a Moçambique. Ela reabriu a frente de atuação na região de Beira. Seu ministério é voltado para a evangelização e o discipulado de crianças e mulheres com a Igreja Assembleia de Deus Alfa e Ômega – Ministério CEAFE.
Clarismundo Batista
Missionário da Missão Antioquia desde 2009
Minha esposa, Deise, e eu chegamos a Angola em novembro de 2009. Lideramos uma igreja que estava sem pastor e treinamos pessoas para dar continuidade ao trabalho de evangelização e manutenção da igreja.
Em 2010, fomos convidados pela Missão Antioquia a apoiar uma igreja em Maputo – Moçambique –, com foco em evangelização, plantação de igrejas, ministério esportivo e projetos sociais. O nascimento dos nossos dois filhos consolidou nossa missão como uma vivência familiar e integral. Podemos dividir Moçambique da seguinte maneira – no sul, há necessidade de discipulado e formação de liderança; no centro, há necessidade de discipulado, formação de liderança e plantação de igrejas; no norte, há necessidade de missionários para discipulado, formação de liderança e, principalmente, plantação de igrejas, pois há predominância de muçulmanos.
Doze anos depois, em 2022, deixando uma igreja plantada e uma liderança nacional ordenada em Moçambique, fomos convidados a assumir a Escola de Ensino Fundamental Ubumi, com 350 crianças, em Kitwe – Zâmbia. Pelo método Educação por Princípios, introduzimos o Evangelho em todas as disciplinas e transformamos a escola em uma instituição cristã. Além das crianças, famílias têm sido abençoadas e jovens têm deixado a criminalidade e a violência, consolidando a presença cristã vinda do ambiente escolar.
Para nós, é uma honra e um privilégio fazer parte da família Antioquia e servir na África ao longo de mais de 17 anos.
África Ocidental
A Comunidade dos Estados da África Ocidental (CEDAO) é uma organização regional composta por 15 países – Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo.
A região, marcada durante anos por simplicidade, acolhimento, abertura e paz, viu sua realidade ser transformada pela violência extremista e por outros desafios que afetaram comunidades e deslocaram famílias. O agir de Deus, no entanto, manifestou-se de forma poderosa, fortalecendo a fé do povo.
Em 2006, a Missão Antioquia definiu estrategicamente a África Ocidental como uma de suas frentes prioritárias de atuação. Essa decisão, porém, foi precedida por experiências anteriores na região. Em 1988, em parceria com a WEC – International, enviou Maria Rosa Ribeiro à Guiné-Bissau e, em 1991, Rute de Jesus. Ambas atuaram nas áreas de educação e plantação de igrejas. No início dos anos 2000, a Missão Antioquia enviou missionários ao Senegal, onde se envolveram em projetos nas áreas de saúde e educação.
Realizando o sonho que Deus havia dado à Missão Antioquia, a partir de 2001, a família Kologo, pioneira na área da assistência social, fundou o Centro de Acolhimento, Casa Esperança e Missão Refúgio (CACEMAR), que atua em acolhimento, cuidados básicos e transformação social em outra região. Ao longo dos anos, outros obreiros se juntaram a esse trabalho em diferentes frentes. A jovem enfermeira Pereira cuidou de feridas externas e internas; a família Melo serviu durante cinco anos por intermédio do futebol; e o casal Silva apoiou o ministério pastoral. Posteriormente, o casal Aranibar se dedicou a projetos de desenvolvimento pessoal, comunitário e voltados a grupos específicos, tendo recebido o reforço da família Santos e da jovem Sara. Nalu, amiga desde o início dos anos 2000, atuou na área de educação. O casal Fernandes foi direcionado para iniciar o Centro de Assistência e Formação Integral (CAFI), que desenvolve trabalhos de assistência social, acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, capacitação profissional e transformação integral de comunidades. A querida Dinha, as famílias Oliper, Ransdorf e Carreiro, a Paula e o jovem Kuno também passaram a apoiar os projetos da região.
Esse esforço tem alcançado os povos mais necessitados da região, e muitos têm conhecido a Jesus por meio desse trabalho. Em meio à instabilidade política, à violência, ao medo e à insegurança, a fé permanece viva e impulsiona o avanço do Evangelho, levando suporte, cuidado e consolo às comunidades afetadas por meio de ações concretas – construção de escolas e poços, bem como provisão de alimentos – que evidenciam o amor de Cristo. Isso, porém, não apaga a dura realidade da perseguição que vem acontecendo nos últimos anos em diferentes áreas, resultando em deslocamentos internos e busca por refúgio.
América Latina
Cíntia Silva
Missionária da Missão Antioquia desde 2006
O Ide de Jesus não é um eco distante – é uma ordem viva que pulsa hoje em lugares nos quais o nome de Cristo ainda não foi anunciado.
Desde 2006, meu marido, Adilson, e eu temos visto esse Ide atravessar rios, florestas e culturas no Brasil, no noroeste do Amazonas, entre os indígenas Werekenas. Fomos os primeiros a chegar à região, conhecida como Cabeça do Cachorro.
Pela graça de Deus, em duas décadas de trabalho – com viagens, oração e resiliência diante dos desafios –, evangelizamos povos de diferentes etnias entre as quais não havia crentes nem igrejas, desenvolvemos um projeto social, plantamos duas igrejas e formamos líderes indígenas por meio do Seminário Teológico Indígena (STI), alcançando quatro aldeias.
Deus tem agido e, hoje, vemos vidas transformadas, lideranças fortalecidas e a igreja indígena crescer e se fortalecer espiritualmente em meio às trevas espirituais.
Em tudo isso, a Missão Antioquia tem exercido um impacto significativo no apoio e no encorajamento voltados ao alcance dos povos indígenas do Brasil. O Departamento de Assuntos Indígenas (DAI) da AMTB é um movimento que reúne agências missionárias cristãs. Criado em 1982, seu principal objetivo é estimular o alcance de etnias indígenas. Ele defende os ministérios de assistência, promove a unidade das instituições e apoia o Conselho de Pastores e Líderes Indígenas (CONPLEI), que, por sua vez, mobiliza e encoraja a igreja indígena brasileira, que, como resultado, tem crescido ao longo dos anos.
Ananias e Lilia Loback se casaram em 1970 e foram alunos do Instituto Bíblico de Cianorte antes do início da Missão Antioquia. Em 1977, seguiram para Manaus, Amazonas, onde nasceram seus dois primeiros filhos, Lisânias e Lísias. Trabalharam em Castanho e, em 1977, foram para Humaitá, onde nasceu a terceira filha, Leonina, e onde tiveram o primeiro encontro com o povo Parintins. Em 1978, foram para Corpus Christi, no Paraguai, região em colonização, onde nasceu a quarta filha, Liliana. Em 1982, fizeram o CPM em São Paulo. Em 1983, foram enviados a Portugal. Em 1997, voltaram ao Brasil e, em 1999, retornaram a Humaitá, onde passaram a trabalhar com o povo Parintintin em três aldeias: Traíra, Pupunha e Canavial. Em 2001, devido a um grave episódio de perseguição, tiveram de deixar a região. O legado desses pais missionários para o avanço do Evangelho entre os indígenas brasileiros foi o da importância da obra de Deus onde ninguém paga o preço do pioneirismo. O trabalho deles entre os indígenas foi nas áreas de evangelização, alfabetização e sustentabilidade agropecuária, o que contempla a visão da integralidade do Evangelho. Seus filhos têm nos pais o exemplo de seguir ao Senhor com respeito. Lilia partiu para o Senhor em 2023.
Em 2000, Harold e Rose Senski, quando já tinham mais de 60 anos, seguiram para o campo missionário, onde trabalharam entre os terenas em Aquidauana, Mato Grosso do Sul. Serviram ao Senhor por meio da União das Igrejas Evangélicas da América do Sul (UNIEDAS). Com alegria e dedicação, atuaram no treinamento bíblico de obreiros, no fortalecimento das igrejas e no desenvolvimento da apicultura.
Em 2003, Silvana da Veiga foi para o Pará, tendo Altamira como base. Durante 11 anos, serviu com o povo Araweté, que não contava com presença missionária no Médio Xingu e, de fato, só teve contato com a civilização em 1976. A preservação cultural foi um desafio, mas em Sua misericórdia, Deus agraciou a missionária com uma boa adaptação e muitos frutos. Ela atuou nas áreas de educação e evangelização em parceria com as missões ALEM e SENAMI.
O impacto na região foi significativo, pois, onde a Palavra chega há transformação. O acesso à educação promoveu libertação e, hoje, há indígenas alfabetizados de forma bilíngue. Inclusive, dos três primeiros indígenas alcançados, um se tornou professor!
Hoje, a missionária serve em Altamira, no Centro de Apoio aos Grupos Étnicos em Situação de Vulnerabilidade (CAGESV), que alcança várias etnias da região que se deslocam com mais frequência para a cidade em razão das mudanças significativas da dinâmica social. Atua no acolhimento, no apoio e na assessoria em questões práticas – desde o fornecimento de refeições até a resolução de demandas comerciais e tecnológicas. Esse projeto mantém parceria com a FEPAS, a Interact e a Igreja Batista Independente de Altamira, da qual Silvana é obreira.
Em 2013, Gerson Felix foi para Pimenta Bueno, Rondônia, a fim de servir no Centro Canaã, ligado à UNIEDAS, instituição responsável pela formação de obreiros indígenas de várias etnias dos estados do Amazonas, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, além do Peru. O missionário atua como professor e mentor de alunos, alcançando os diferentes povos ligados a eles. Além disso, trabalha com discipulado, batismo, encorajamento, cursos de liderança cristã e revitalização de obreiros indígenas.

Gilvanete Silveira
Missionária da Missão Antioquia desde 1993
A Missão Antioquia está na Bolívia desde 1983, quando enviou ao país seu primeiro missionário, Valdir da Silva. Ele e os missionários enviados posteriormente impactaram o povo com o Evangelho por meio de trabalho social, centros de recuperação, creches, evangelização de porta em porta, formação de líderes e abertura de igrejas. A nação, que, no início dos anos 1980, carecia da presença evangélica, hoje conta com uma expressão significativa de crentes de diversas denominações e igrejas independentes.
Em 1994, a missão implantou um campo intermediário de treinamento transcultural na Bolívia. O campo funcionou como tal ao longo de anos, recebendo obreiros em sua primeira experiência missionária, antes de serem enviados ao campo definitivo.
Em 1995, a missão enviou ao país o Pr. Sergio Silveira e sua esposa, Nilma. Ele abriu a Base Antioquia – Bolívia e foi seu primeiro diretor executivo. Por mudanças estratégicas em relação às bases internacionais, essa base foi encerrada em 2025.
Alguns dos missionários permaneceram no país, plantando igrejas, discipulando, treinando obreiros e abrindo projetos sociais. Entre as iniciativas, destacam-se a Guardería Pequeño Moisés (Creche Pequeno Moisés), em Cochabamba, e o PRADOS, programa de reabilitação de dependentes químicos, em Sucre, fundado e dirigido por Maria Nazareth, missionária pioneira na Bolívia. Em 1998, ela foi eleita presidente da Missão Antioquia – Bolívia. Maria Nazareth também é fundadora da Iglesia de la Fe, na qual até hoje servem os missionários Gregório e Maria de Lourdes.
Meu marido, Ismael, e eu servimos ao Senhor em Cochabamba, onde pastoreamos uma pequena igreja, implantamos igrejas, formamos líderes e trabalhamos em creches e institutos bíblicos. Fazemos parte da liderança nacional e apoiamos os pastores da região. Lideramos o ministério da Capellanía de la Denominación (Capelania da Denominação), por meio do qual formamos capelães para trabalhar em prisões, setores geriátricos, colégios e hospitais. A Missão Antioquia também atua no país por meio de missionários em Sucre e Santa Cruz de la Sierra. Louvamos a Deus pela Missão Antioquia, que nos acompanha com oração, encorajamento, encontros e cuidado pastoral.
A Missão Antioquia reconhece o trabalho e o valor de todos os missionários que passaram pela Bolívia, seja em treinamento, seja como missionários no próprio país em exercício de liderança.
Perla Cristiane Cardozo Alves
Missionária da Missão Antioquia desde 2000
O Paraguai é um país rico em recursos naturais e economicamente estável. É bilíngue – seus dois idiomas oficiais são espanhol e guarani. É conhecido como o “coração da América do Sul”, título que não se deve apenas à sua localização geográfica, mas também a seu povo hospitaleiro. Tem uma porcentagem baixa de evangélicos – entre 10% e 14%, incluindo todas as religiões consideradas evangélicas.
Passou por duas grandes guerras: a Guerra do Chaco (Paraguai e Bolívia) e a Guerra da Tríplice Aliança (Paraguai e Argentina, Uruguai e Brasil), que quase exterminou a população masculina e quebrou economicamente a nação. Como consequência, permaneceu anos submerso em opressão interna e externa. Durante 50 anos, teve um governo ditatorial que paralisou a nação em todas as áreas.
Um dos maiores movimentos de plantação de igrejas e evangelização na região – Alto Paraná – tem registro em 1981, com a chegada de missionários norte-americanos que plantaram igrejas conhecidas como Carpas (Tendas). Depois, estabeleceram-se os concílios das Assembleias de Deus. Pertenço a uma Assembleia de Deus – sou pastora da Iglesia Centro Evangelístico Vida.
Conheci a Missão Antioquia em 1999, por meio dos missionários Edson e Tânia Gomes. Mais tarde, Edinho e Paula Mello apoiaram a Iglesia Centro Cristiano, em Hernandarias, onde eu vivia. Posteriormente, o Paraguai passou a receber equipes do CPM e do Projeto Férias. Entre os líderes que serviram, destaco André Tostes e Natalícia Torres de Morais, que estiveram à frente de equipes em diferentes edições.
Meu marido, Juan Carlos Álvarez, e eu plantamos uma igreja em Simón Bolívar, região pobre e majoritariamente habitada por agricultores. Também lideramos uma igreja na Ciudad del Este. Além disso, a parceria com a Missão Antioquia nos dá a possibilidade de receber missionários que apoiam a evangelização e a obra social da nossa comunidade.
A contribuição da Missão Antioquia é significativa para a evangelização do país, atuando como um braço de apoio à obra missionária de formas práticas.
Na região de Hernandarias, servem: Suely Campos, que, desde 1999, desenvolve um trabalho de alfabetização de crianças e um ponto de pregação no assentamento Paz del Chaco, e Caio e Fernanda Crizóstomo, que, desde 2025, apoiam o ministério de jovens da igreja.
Outros missionários da Missão Antioquia enviados ao Paraguai são: Josué e Seide Ferreira dos Santos, em 1988; Derval e Rute Carneiro, em 2001; e Márcio e Marta Buscarolo, em 2011.
A Missão Antioquia também esteve presente no Uruguai, em meados dos anos 2000, por meio do ministério de Domingas Souza Pereira, que havia servido no Paraguai em um período anterior e, novamente, entre 2011 e 2013, com um verdadeiro coração latino-americano! Hoje, já aposentada, a missionária vive em Anápolis (GO), onde é bem amparada por sua igreja enviadora – Assembleia de Deus.
A Missão Antioquia menciona a presença missionária de Jesuel e Maria Helena Alves na Guatemala, desde 2002 até hoje; do Pr. Israel e de Rutilea Fonseca no Peru, a partir de 2011; e de Josiane Cristina Bueno, também no Peru, a partir de 2014. Os últimos três missionários hoje servem no Brasil.
Bálcãs
“… pelo poder de sinais e maravilhas, mediante o poder do Espírito de Deus. Assim, desde Jerusalém e arredores até o Ilírico, proclamei plenamente o evangelho de Cristo” (Romanos 15.19).
O apóstolo Paulo pregou sobre Cristo na antiga Ilíria, que, com a Dardânia, compreende hoje a Albânia e Kosovo. Em ambos se fala albanês, idioma indo-europeu com raiz linguística própria – o segundo mais difícil da Europa. A Albânia tem 2,7 milhões de habitantes. Kosovo tem 1,5 milhão. Viveram sob o regime comunista por cerca de 50 anos (1945 a 1991), o que acarretou restrições econômicas severas e um ateísmo militante agressivo. Depois da queda do regime, em 1991, várias religiões retornaram a exercer sua fé livremente.
Eduardo Monteiro
Missionário da Missão Antioquia desde 2013
Professor de Comunicação Transcultural da Missão Antioquia
A Missão Antioquia exerce influência na região desde que treinou e enviou a missionária Najua Diba – que havia recebido um chamado para a Albânia – ao campo intermediário, Inglaterra, em 1985. Em 1987, por meio da missionária, a missão entrou no Kosovo e, em 1991 – ano da queda do comunismo –, de forma pioneira, na Albânia, onde exerceu um ministério frutífero que resultou na plantação da Igreja Emmanuel, que conta com líderes nacionais que continuam o trabalho.
Najua também foi uma grande mobilizadora para os Bálcãs, para onde seguiram diversos missionários. José Anchieta, Nelimar Dias e seus três filhos serviram de 2001 a 2013, mas continuam a apoiar o ministério. Cleides Magalhães juntou-se à Missão Antioquia em 2009. Daniel e Shirley Porto atuaram por um breve período. Edmilson e Miriam Silva, Djanir Azevedo, Larissa Mota e minha esposa, Jane, e eu continuamos a servir na região. Há sete igrejas plantadas, e quatro delas são lideradas por pastores locais que participam ativamente da liderança da igreja nacional. Há duas igrejas filhas, uma igreja revitalizada e uma igreja em plantação.
Atualmente, a missão está presente na Albânia, em Kosovo e na Macedônia do Norte por meio de alianças sólidas e igrejas plantadas. A missão é representada por pelo menos seis projetos desenvolvidos por obreiros nacionais e missionários na Albânia e em Kosovo. Das 12 divisões administrativas da Albânia, a missão está presente em Tirana, Pogradec, Bulqizë, Mirditë e Kukës, além de Prishtina, capital do Kosovo.
A igreja evangélica se desenvolveu com a situação econômica do país e, ao longo de 39 anos, por meio do treinamento da Missão Antioquia, outros obreiros têm frutificado na Albânia. Muitas denominações cristãs entraram nos Bálcãs, compartilhando o mesmo objetivo: a pregação do Evangelho. Seminários foram abertos, possibilitando a formação de obreiros nacionais. A aliança evangélica fundada tem atuado como representante da comunidade evangélica.
Europa
Foi o primeiro campo alcançado pela Missão Antioquia, em 1978, com o envio da missionária Maria Pires a Lisboa (Portugal), para trabalhar com angolanos que haviam deixado seu país em razão da guerra civil. Posteriormente, ela seguiu para o norte do país, onde seu ministério contribuiu para a abertura de uma igreja. Pela posição estratégica de Portugal, foram estabelecidas diversas parcerias para o alcance do norte da África. Até hoje, a Missão Antioquia mantém missionários na região.
Mais tarde, a missão estabeleceu uma base na Inglaterra, de onde muitos obreiros foram relançados para campos de fala inglesa. Em 1981, foi criada a primeira base internacional – a Base Antioquia – Portugal –, para a qual dezenas de missionários foram enviados. Ali, a Missão Antioquia aprendeu a ser uma missão.
Regina Lima
Missionária da Missão Antioquia desde 2017
A Espanha está localizada na Península Ibérica e tem mais de 47 milhões de habitantes (dados de 2026). O apóstolo Paulo anelou chegar à Espanha. Seus lindos detalhes enchem os olhos e a alma, mas apenas 2% a 3% da população se identifica como evangélica.
Devido à inquisição cruenta e fria liderada pela Igreja Católica, que impunha duras penas a quem professasse outra religião, houve torturas e mortes em nome de Deus. Infelizmente, até bem pouco tempo atrás, ainda houve perseguição, pois somente há pouco mais de 40 anos a Espanha deixou de estar sob um governo ditatorial no qual a Igreja e o Estado permaneciam estreitamente ligados.
Isso faz com que, ainda hoje, muitos espanhóis se digam ateus. Eles precisam ouvir falar sobre o verdadeiro Deus – não o deus em nome de quem viram gerações anteriores serem mortas, o deus das religiões, mas o Deus que ama, Emanuel, o Deus conosco que deseja fazer parte da história de cada espanhol. Outros espanhóis decidiram seguir o que seus pais lhes ensinaram, mas apenas por tradição e não porque conhecem a Deus. Eles conduzem suas imagens de escultura em procissão, mas nada sabem sobre o Deus verdadeiro. Depositam sua esperança em práticas religiosas que não os conduzem ao conhecimento pessoal de Cristo. Essa geração precisa saber que Deus é amor e deseja ter um relacionamento pessoal com cada ser humano. Como, porém, ouvirão, se não há quem pregue? Na Espanha, há mais de sete mil municípios sem igreja evangélica! Apenas 2 a 3% são cristãos evangélicos.
O impacto da Missão Antioquia na Espanha se deu por meio dos missionários enviados para apoiar a plantação de igrejas. O primeiro casal, Joel e Maria José Evangelista, foi enviado em 1990. Eles serviram em Ibiza, Teruel, Ávila e Santiago de Compostela. Em 1998, Débora Silveira e Márcia Chiaratto foram enviadas a Teruel. Mariene Xavier, enviada em 2001, apoiou a Igreja Batista em Ferrol e Granada. Jack Douglas, enviado em 2007, serviu em Granada e Santa Fe, apoiando o que hoje é a Convenção das Assembleias de Deus. Eu, Regina, segui em 2017. Otair e Rissalva Souza, em 2019. Eles atuaram em Granada e, atualmente, servem em Ceuta. Jorge e Cristina Clarin, enviados em 2023, também servem em Ceuta, dedicando-se ao treinamento.
Houve parcerias importantes para o alcance do norte e do oeste da África com o PMI – Internacional. Débora Silveira e Márcia Chiaratto serviram na Base Antioquia – Granada. Márcia se casou com o nacional Javier Lara e, atualmente, eles servem junto à Igreja Batista em Melilla. Débora hoje serve no Brasil, em mobilização missionária. O PMI atuou como base de reenvio de missionários.
A Missão Antioquia também estabeleceu uma parceria com a Operação Trânsito, projeto de evangelização ligado à Cruzada Estudantil, à OM e à Sociedade Bíblica Internacional voltado ao alcance de norte-africanos em viagem entre a Europa e o continente africano. Nesse trabalho, a missão contou com missionários e equipes.
Outra parceria importante foi com a ONG Dignidade, que abriu portas para missionários da Missão Antioquia na Espanha e, inclusive, proporcionou a oportunidade de uma missionária brasileira servir em uma escola apoiada pela organização em Moçambique, no início da década de 1990.
Desde que a Missão Antioquia chegou à Espanha até hoje, houve mudanças no campo evangélico, um mover de Deus que resultou em um crescimento considerável. Houve abertura por parte do governo para plantação de igrejas, e o efeito da imigração trouxe crentes para o país. A presença da Missão Antioquia nesse momento histórico colaborou para uma igreja evangélica mais fortalecida, presente e ativa.
Ainda há muito a ser feito. O país é grande, e poucos são os trabalhadores. Ore para que o Senhor de toda a terra envie mais trabalhadores para a Espanha.
Paula Melo
Missionária da Missão Antioquia desde 2003
Meu marido, Edinho, e eu nos conhecemos na Missão Antioquia quando éramos jovens e estudávamos Teologia. O Senhor nos chamou, e fomos treinados no CPM e no campo intermediário no Paraguai. Quando voltamos de lá, já com duas filhas – Melissa (2 anos) e Sabrina (bebê) –, conhecemos missionários que desenvolviam um trabalho de acolhimento a crianças vulneráveis no oeste da África. Em 2002, nós nos juntamos a eles e trabalhamos por cinco anos – o Edinho, com uma escola de futebol, e eu, na área da educação. Vivemos todos os desafios da África e fomos felizes. De lá, seguimos para outro país da região, no qual trabalhamos durante dois anos, implantando o mesmo projeto. Vivemos um período difícil devido aos conflitos políticos armados, que implicavam perigo para nossa família. Fomos orientados a deixar o país até que a situação amenizasse. Passamos um período no sul da França, para onde Deus nos conduziu.
A Missão Antioquia já havia atuado no país anteriormente. A primeira missionária da Missão Antioquia na França foi Leonilda Medeiros, no início da década de 1980. Em 1992, veio para cá Romualda Pereira Pacheco, que ainda vive aqui. Ela desenvolveu seu trabalho junto ao Centre Évangélique, em Tourcoing, no norte, com apoio, discipulado e, principalmente, ministério infantil.
Por meio de uma parceria da Missão Antioquia com a Aliança pró-Evangelização de Crianças (APEC), Deus abriu uma porta para servirmos como obreiros no país, no qual finalmente nos estabelecemos em 2012.
No início, a realidade da França, que refletia o secularismo da Europa, nos chocou. O número de cristãos era baixo, igrejas estavam sendo fechadas, propriedades estavam sendo vendidas para as prefeituras locais e templos se tornavam locais para exposições artísticas. Tudo configurava um terreno seco e difícil para trabalhar.
Missionários mais experientes confirmavam nossas impressões. Com frequência, ouvíamos que a França era considerada um “cemitério de missionários”, devido à dificuldade de permanecer no campo. O apoio e o acompanhamento dos líderes da Missão Antioquia foram fundamentais para iniciarmos nosso trabalho junto à APEC e ficarmos firmes.
O processo, porém, foi lento. Não víamos frutos, poucos respondiam aos nossos esforços e pouquíssimas crianças participavam das atividades que oferecíamos. Foram anos de sequidão e baixo interesse por parte das igrejas, que já enfrentavam dificuldades.
Com treinamento e maior compreensão do contexto francês, no entanto, nosso ministério foi tomando forma. Hoje, treinamos obreiros e monitores para a evangelização de crianças, que também atuam nas diversas ações da APEC, como tardes de evangelização e acampamentos.
Depois da pandemia, houve uma mudança gradativa: as igrejas se tornaram mais interessadas e os convites aumentaram. Hoje, com alegria, vemos o crescimento do envolvimento com a causa da evangelização de crianças e contamos com mais candidatos para nossos cursos de treinamento.
Ainda que seja uma gota em um oceano, a Igreja Evangélica Francesa tem crescido de 1% para 2%. Além disso, há um campo imenso entre os imigrantes, muitos deles de países nos quais o Evangelho é proibido, mas, aqui, eles têm oportunidade de seguir a Jesus de forma mais livre.
Grupos de cristãos têm se unido em oração, e o número de conversões tem aumentado. Para glória de Deus, servimos na França há 14 anos e temos visto muitos serem alcançados. Somos gratos ao Senhor pela Missão Antioquia, que nos apoia desde a porta que Deus abriu para nós até hoje. Nossos líderes reconhecem nosso chamado e, hoje, testemunhamos que mais de mil pessoas foram alcançadas pelo nosso ministério.
Em relação ao futuro, temos esperança, pois filhos de missionários que servem na África Ocidental, onde estudam segundo o método francês, têm como opção concluir sua formação acadêmica na França e, de fato, alguns deles já estudam aqui. Talvez, apenas talvez, surja uma nova geração de missionários preparada para transmitir a mensagem do Evangelho no Velho Continente.
Márcia Tostes
Diretora executiva da Missão Antioquia
A Inglaterra foi uma base importante para a Missão Antioquia, pois dela muitos missionários foram relançados para os campos de fala inglesa. A porta da nação foi aberta por irmãos da cidade de Birmingham, segunda maior cidade do país, localizada na região das Midlands Ocidentais.
Em 1984, sob clara direção do Senhor para que a Missão Antioquia abrisse uma nova base, Hélcio Lange, que servia na Base Antioquia – Portugal, seguiu para a Inglaterra. Lá foi hospedado por Erica Burrows, que acolheu e apoiou os primeiros missionários que chegaram ao país. Ela também fez a ponte com Harvey Challoner, que havia vivido em Portugal e abriu as portas da Raglan Road Christian Church. Essa igreja foi estrategicamente usada pelo Senhor para o estabelecimento, ainda naquele ano, da Base Antioquia – Inglaterra, em Birmingham, e para a expansão do trabalho junto às igrejas irmãs de outras regiões do país, que também o apoiaram.
Entre os objetivos da base, estavam o treinamento em língua inglesa e a conexão com irmãos e as igrejas do país, que se tornaram parceiras dos missionários, como, por exemplo, Najua Diba, que esteve na Inglaterra de 1994 a 1996, seguiu para Pristina, que, na época, era parte da então Iugoslávia e, finalmente, em 2001, foi para a Albânia, seu campo alvo.
Hélcio Lange foi o primeiro diretor da Base Antioquia – Inglaterra, que, no seu ponto mais alto, contou com 13 missionários no país. Posteriormente, outros missionários da missão passaram pela Inglaterra. Outros líderes assumiram a diretoria: Jailson Silva, em 1988; Zinaldo Martins, em 1991, quando a base foi transferida para a região de Brighton & Hove, East Sussex; e Carlos Gomes, em 1994, quando a base foi instalada em Londres e, posteriormente, transferida para Frinton-on-Sea, Essex, onde, em 1998, recebeu os fundadores da missão, Décio e Tirlei Azevedo. No início dos anos 2000, a base foi oficialmente encerrada.
A Missão Antioquia é grata aos irmãos que serviram no início, alguns deles já com o Senhor, como trustees (membros do conselho) da Base Antioquia – Inglaterra, oficialmente registrada no país, entre eles: Boyd Williams, Dave Orange, Derek Harrison e Peter Richards. Posteriormente, Cliff Barnard, Enid Pocock, Ian Farr e Roger Foster. Também são lembrados: Len Ashdown, que muito colaborou com a administração da base quando instalada em Londres e, depois, em Frinton-on-Sea.
Merecem destaque as escolas de inglês com valores acessíveis aos missionários: Richmond School, em Birmingham; Olivet School, em Brighton; Christian English Language Centre, em Bournemouth, e a emblemática The Southall School of Languages and Missionary Orientation (Escola de Línguas e Orientação Missionária de Southall). Estabelecida em 1989, na Western Road, em Southall, Londres, a escola funcionava como um ministério da Igreja Batista de Southall, pastoreada por Boyd Williams (in memoriam), que havia sido missionário no Brasil e era o fundador da igreja e grande amigo da Missão Antioquia. Muitos missionários da missão estudaram naquela escola. O bairro em que a escola ficava era um campo missionário, pois abrigava imigrantes indianos e paquistaneses, entre outros.
Outra porta aberta foi o All Nations Christian College, em Ware, Hertfordshire, onde, de 1986 a 1988, foram aceitos os estudantes com bolsa integral Silas e Márcia Tostes. O curso missiológico influenciou suas práticas missionárias – desde o treinamento ao cuidado missionário, impactando tanto a Missão Antioquia como o movimento missionário brasileiro.
Um aspecto importante foi o treinamento para o alcance de muçulmanos, mentoreado pelo saudoso Sam Salomon, que foi convertido a Cristo e, posteriormente, mentoreou muitos obreiros. Ele também inspirou cursos sobre o tema no Brasil e treinou a muitos, que ainda hoje alcançam a outros em várias nações.
A Inglaterra – terra de reis e rainhas – acolheu calorosamente a Missão Antioquia e seus missionários, servindo como importante ponto de preparo, apoio e reenvio para diversos campos. Ao mesmo tempo, com vigor e amor, a missão também deixou sua contribuição no país por meio do trabalho dos seus obreiros junto às igrejas locais, atuando como evangelistas, intercessores e pastores.
Permanecem no país Joel e Maria José Olivato e a família Batista – Jack Douglas, Jane e suas três filhas: Ester, Talita e Christine.
Vast Neves
Missionária da Missão Antioquia desde 1981
Portugal ocupa um lugar especial na história da Missão Antioquia. Foi ali que a missão estabeleceu sua primeira base fora do Brasil e deu passos fundamentais em sua compreensão e prática missionária.
Os primeiros missionários enviados ao país foram Maria Pires, em 1978, e Hélcio Lodos, em 1979. Em 1980, o Pastor Jonathan Ferreira Santos, o Pastor Nilton Tuller e Josué Ferreira (in memoriam) visitaram Portugal. Em 1981, o Pr. Joed e Noeme Lamonica, com sua família, e eu fomos enviados ao país, onde permaneci por 14 anos. Ainda em 1981, a Missão Antioquia foi oficialmente registrada no país, tornando-se a primeira base da missão fora do Brasil. A partir dali, Portugal passou a funcionar como campo missionário e ponto de recepção, treinamento e envio de obreiros para outras nações. Esteve ativa até 2006. Em 1986, o Pr. Ananias e Lilia Loback, com sua família, chegaram a Portugal.
Todos os missionários enviados até então se estabeleceram principalmente na região de Monção, no norte do país, dedicando-se à evangelização e ao discipulado.
Hélcio Lange foi um dos pioneiros na implantação da Base Antioquia – Portugal. Chegou ao país em 1980 e, a partir de 1989, passou a servir ao lado de sua esposa, a inglesa Ângela. Juntos, plantaram duas igrejas. Atualmente, permanecem em Portugal, servindo de forma independente no ministério pastoral.
Em 1990, Brasil Palumbo também foi enviado à região norte para integrar-se à equipe. Três anos depois, casou-se com a brasileira Roselaine, que passou a acompanhá-lo no ministério. O casal teve três filhos. Juntos, desenvolveram ações relevantes que contribuíram para o impacto da Missão Antioquia na região. Atualmente, servem no país de forma independente.
A missionária Alzenira Freire foi enviada para Portugal, em parceria com a Igreja Metodista Wesleyana no país, em 2019. Em 2020, retornou ao Brasil em razão da pandemia. No ano seguinte, voltou a Portugal, estabelecendo-se na cidade de Oliveira de Azeméis, onde permanece até hoje, oferecendo apoio pastoral em diferentes frentes da mesma denominação.
Nos primeiros anos, os evangélicos eram vistos com desconfiança e frequentemente classificados como seita. O trabalho evangelístico precisava ser realizado com discrição, e os missionários enfrentavam rejeição e perseguições.
Apesar disso, o trabalho evangelístico se expandiu por diversas cidades do norte do país. Igrejas foram plantadas, discípulos foram formados e líderes surgiram.
Posteriormente, em Gondomar, cidade vizinha ao Porto, a missão adquiriu uma propriedade para servir como sede. Embora esse projeto não tenha sido concretizado, uma igreja foi plantada no local e permaneceu firme, apesar das dificuldades.
Os esforços evangelísticos também contavam com a colaboração de missionários ingleses que, utilizando tendas, realizavam ações de evangelização em diferentes cidades da região.
Havia muitos desafios na área da comunicação, que era feita por cartas, e o sustento financeiro era limitado, pois a Igreja brasileira tinha pouca conscientização acerca da manutenção missionária e do envio de recursos para o exterior. A maior parte dos missionários estava dando seus primeiros passos no campo transcultural. Apesar disso, a graça de Deus sustentou o trabalho. Os convertidos permaneceram firmes na fé, novas igrejas foram abertas e o Evangelho avançou pelo norte de Portugal.
O legado da Missão Antioquia permanece vivo em Portugal por meio das igrejas plantadas, dos líderes formados e das parcerias construídas ao longo dos anos. Entre esses parceiros estão os pastores José Carlos e Maria José Ribeiro, da Igreja da Renovação, no Porto, fundada por Álvaro e Alice Ribeiro, colaboradores da missão desde os primeiros anos. Segundo o testemunho do Pr. José Carlos, líder da comunhão de pastores do norte de Portugal, a Missão Antioquia teve papel pioneiro no desenvolvimento das missões modernas na região. Em uma época em que existiam poucas igrejas evangélicas no norte do país, sua atuação contribuiu para fortalecer as congregações locais, incentivar a evangelização e ampliar a visão missionária.
Hoje, Portugal conta com uma presença evangélica muito mais expressiva. Apenas na região metropolitana do Porto há cerca de 200 igrejas evangélicas, e o norte do país também registra desenvolvimento significativo. A Aliança Evangélica Portuguesa atua de forma organizada, refletindo um cenário muito diferente do encontrado pelos primeiros missionários décadas atrás.
Europa Oriental
Cleres Pacheco
Missionário da Missão Antioquia desde 2006
A Polônia é majoritariamente católica, mas também possui comunidades ortodoxas e de outros grupos cristãos. Apenas 0,3% da população se identifica como evangélica.
O catolicismo está tão enraizado nos poloneses que eles dizem que, para ser polonês, é preciso ser católico, e que o verdadeiro católico é polonês. A mudança das gerações, a globalização e a forte presença da Internet, bem como das mídias sociais, porém, têm provocado o declínio de práticas religiosas, como frequência à missa e participação em atividades da igreja, especialmente entre jovens.
Apesar da resistência e do crescimento lento, em razão de uma cultura mais reservada, observa-se um aumento de 0,1% para 0,3%. Em algumas regiões, especialmente no interior, há declínio; já nas capitais, as igrejas apresentam maior crescimento. Com a chegada dos ucranianos, as comunidades se fortaleceram e, inclusive, tornaram-se mais avivadas.
A partir de 2004, ao ingressar na União Europeia, a Polônia experimentou um desenvolvimento significativo, acompanhado de mudanças econômicas, entre elas o aumento do custo de vida. Além disso, a migração de poloneses para diversos países do bloco, em busca de trabalho, contribuiu para a conversão de alguns, que, a seu tempo, levaram a mensagem à própria família.
Hoje, a Polônia possui uma das economias mais fortes da Europa; no entanto, em decorrência da globalização, enfrenta problemas que outrora eram considerados tabus, em grande parte por influência do catolicismo.
A Missão Antioquia está presente na Polônia desde a década de 1990, logo depois do fim do comunismo. Graças à atuação dos missionários Jailson Silva e Jeremias de Sousa, bem como ao ministério que minha esposa, Jane, e eu temos desenvolvido ao longo dos anos, a Missão Antioquia passou a exercer um impacto significativo no país. Como exemplo, em 1994, em Białystok, foi oficialmente reconhecida a Kościół Zielonoświątkowy Zbor Dobra Nowina (Igreja Pentecostal Boas Novas), que hoje está consolidada, com instalações próprias, liderança nacional e discípulos frutíferos.
Dentre os projetos que a missão realiza, destacam-se: Kidz Klub, que já evangelizou milhares de pessoas e gravou um CD com o Diante do Trono e crianças polonesas; quase cem acampamentos, nos quais crianças e jovens ouviram a Palavra; e participações no Festival de Jovens, no qual milhares de jovens se reúnem e têm oportunidade de conhecer o Evangelho.
A Ucrânia fazia parte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e, portanto, estava sob o regime comunista, sem liberdade religiosa. No fim dos anos 1980, porém, com as reformas de Gorbachev, passou a desfrutar mais liberdade religiosa. Então, as igrejas começaram a registrar-se oficialmente, e as atividades evangelísticas se tornaram menos reprimidas.
Em 1991, no entanto, depois da independência do país, a liberdade religiosa passou a ser plenamente garantida por lei. As igrejas evangélicas cresceram rapidamente, e os missionários estrangeiros começaram a entrar no país com facilidade. A distribuição de Bíblias e a pregação pública se tornaram comuns. Muitas pessoas passaram a buscar compreender a fé depois de décadas de repressão.
Os missionários da Missão Antioquia entraram no país no início dos anos 2000, mas, devido às dificuldades de adaptação – inclusive ao clima, ao aprendizado do idioma e a outros desafios –, não permaneceram.
Atualmente, a Ucrânia possui uma das maiores comunidades evangélicas da Europa Oriental. Apesar de a maioria da população ser cristã ortodoxa, os evangélicos têm presença significativa e ativa (2% a 4% da população, entre 800 mil e 1,5 milhão de pessoas – as estimativas variam devido à guerra e aos deslocamentos).
A invasão da Ucrânia pela Rússia afetou profundamente as igrejas evangélicas – templos foram destruídos em áreas de combate, e algumas comunidades protestantes enfrentaram fechamento e perseguição. Por outro lado, as igrejas evangélicas se tornaram centros de abrigo para os deslocados internos, distribuidoras de alimentos e de ajuda humanitária e organizadoras da evacuação de civis, o que trouxe respeito por parte da sociedade. Há relatos de crescimento espiritual e mais procura por apoio religioso. Igrejas jovens e urbanas continuam ativas.
A Missão Antioquia tem sido relevante no apoio aos muitos refugiados desde o início da guerra, oferecendo acomodação, alimentação, acolhimento, adaptação cultural, ensino do idioma e evangelização. Também tem realizado viagens ao país para prestar assistência espiritual e pastoral.
Norte da África
A região é composta por sete países – Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Sudão, Tunísia e Saara Ocidental – e é mais de 99,5% muçulmana. A Igreja Católica Romana desapareceu da região após a chegada do Islã, entre os séculos VII e IX.
A Missão Antioquia está presente na região desde 1991 e se consolidou ao longo dos anos, com atuação nas grandes cidades e no interior. Com o passar do tempo, diferentes áreas da sociedade foram impactadas por meio de ações de desenvolvimento comunitário e de centros de atenção e apoio às comunidades.
Por se tratar de uma região de enormes desafios, a presença missionária nesses países é frequentemente afetada por mudanças políticas, sociais e de segurança. Ainda assim, novas oportunidades surgem em contextos semelhantes, permitindo que outras regiões sejam alcançadas e que a obra continue por meio de estratégias não planejadas.
A contribuição da Missão Antioquia no norte da África acompanhou a onda de mobilização para a então chamada Janela 10X40, com foco no treinamento missionário. A Missão Antioquia foi pioneira nesse tipo de formação desde 1994, o que influenciou o envio de muitos obreiros para toda a região e além dela, tanto da própria instituição quanto de outras instituições a partir do Brasil.
A maior necessidade atual é de obreiros com bom treinamento transcultural e qualificação profissional, que tenham aprendido bem a língua árabe e a cultura local e atuem de forma contextualizada.
Oriente Médio
A Missão Antioquia atua há mais de três décadas nessa região, marcada por grande diversidade cultural, relevância histórica e forte influência religiosa. Sua história começou em 1991, com o envio do primeiro casal missionário. Desde então, missionários têm servido com fé, oração e perseverança, superando barreiras culturais, linguísticas e geográficas.
Ao longo dos anos, o trabalho se desenvolveu por meio de educação, discipulado, projetos comunitários, parcerias estratégicas e formação de líderes locais, impactando vidas de forma prática e relacional, muitas vezes em contextos de restrição e perseguição.
Hoje, a missão segue ativa, com igrejas fortalecidas e projetos que se mantêm e crescem, refletindo o fruto de um trabalho consistente e sensível ao contexto.
Os desafios continuam: acesso limitado, necessidade de novos obreiros, adaptação cultural constante e o compromisso de viver e anunciar o Evangelho com sabedoria e amor em terras ainda não alcançadas.
Terra Santa
Ana Lúcia Austin
Missionária da Missão Antioquia desde 1989
A Terra Santa faz parte da história da Missão Antioquia desde seus primórdios. De fato, os fundadores da Missão Antioquia e do Vale da Bênção – Pastores Décio e Jonathan – consideravam a evangelização do povo judeu um dos pilares de ambos os ministérios.
Essa visão levou à mobilização para oração, apoio e envio de missionários. Nesse sentido, uma das ações foi o SIM Israel – simpósio sobre Israel –, evento de mobilização e oração pelo povo judeu, cuja primeira edição ocorreu em 1980, em São Paulo, e continua até hoje, embora em formatos diferentes.
Luís Antônio Cerqueira, envolvido com a missão desde o início, desejava trabalhar entre o povo judeu e, de fato, foi o primeiro missionário a seguir para Israel, em 1979. Posteriormente, retornou ao país acompanhado por sua esposa, Marta.
Eles foram seguidos por outros missionários: Leda Schofield, Pedro, João Batista, eu, Ana Lúcia, Jonathan Ferreira dos Santos Júnior, Rosimeire Martins (in memoriam), Quézia Leandro (in memoriam), Fátima de Souza Correa, Nadir Rosa (in memoriam), o pastor Décio Azevedo (in memoriam) e sua esposa, Tirlei, além de Sonia Maria Rosa. Pela soberana vontade de Deus, permanecem no país apenas Pedro e sua família e João Batista, que hoje servem de forma independente, atuando em diferentes frentes.
Na Terra Santa, a Missão Antioquia sempre trabalhou em parceria com outras organizações, com destaque para a Church’s Ministry Among Jewish People (CMJ), missão anglicana fundada em 1809 com o alvo de alcançar o povo judeu.
Em Israel, nossa família aproveitou as oportunidades maravilhosas para servir à comunidade judaica de forma integral, sempre apontando para Jesus, especialmente pelo fato de meu marido, Peter, ser um expositor bíblico com vasto conhecimento do hebraico. Posteriormente, servimos na Inglaterra e, hoje, vivemos no Brasil, onde continuamos a apoiar a causa da evangelização dos judeus e a mobilização da igreja de Cristo, para que compreenda a perspectiva bíblica relacionada ao povo escolhido.
Ao longo dos anos de trabalho missionário entre o povo judeu, a Missão Antioquia tem sido testemunha do crescimento da evangelização, do aumento das congregações messiânicas e da grande abertura para o diálogo sobre Jesus entre os judeus seculares.
